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It Ciência

Em que lugar se escondem o Sol e a Lua?
03/10/2012 12:44

Os eclipses acontecem porque tanto a Terra como a Lua, nosso satélite natural, não possuem luz própria e são iluminadas pelo Sol, formando um jogo de sombras.

Os eclipses solares e lunares são fenômenos astronômicos que despertam muita curiosidade e,mesmo atualmente,alimentam o misticismo ao redor do planeta. Até hoje, há quem associe esses eventos ao fim do mundo, destruição e medo. É uma herança milenar. No passado, muitos povos acreditavam que um ser místico engolia o Sol, que é uma estrela, ou que a Lua estava desaparecendo, mas na verdade esses fenômenos não alteram a vida na Terra. Eles acontecem quando um corpo celeste é ocultado,parcialmente ou totalmente, por outro. Para que isso ocorratrês corpos celestes precisamestar próximos ou completamente alinhados. 

 

Os eclipses acontecem porque tanto a Terra como a Lua, nosso satélite natural, não possuem luz própria e são iluminadas pelo Sol, formando um jogo de sombras. Um eclipse lunar surge quando a Terra forma uma sombra na Lua, já no eclipse solar é o satélite que acaba criando uma sombra no nosso planeta. Em ambos os fenômenos, o que se altera é a posição da Lua. 

 

O eclipse lunar só acontece na Lua cheia e o solar na Lua nova. Mas então por que não acontecem eclipses toda vez que ocorrem essas fases da Lua? O fenômenonão se repete sempre porque a órbita do satélite está inclinada cerca de 5°em relação ao plano da órbita da Terra. Então, não é sempre que esses astros estão alinhados. 

 

Um ponto interessante destacado pela professora em astronomia, Telma Cenira Couto Silva, doutora em astronomia, é como a população dos diferentes hemisférios vêem o eclipse. “Os observadores doHemisfério Norte e Sul vêem a Lua e o Solserem “mordidos” ao contrário, porque o movimento para ambos é diferente.De umamaneira geral, no Hemisfério Sul vemos a Lua crescente representada pela letra ‘C’, já no Hemisfério Norte a fase crescente é representada pela letra D”,

De acordo com a professora Telma, “a observação da parte do satélite que é iluminado pelo Sol depende da posição do observador na Terra, ou seja, de sua latitude e longitude geográfica. NoHemisfério Norte a Lua é observada ao sul, e aqui ao norte”, acrescenta Telma.“Quando olhamos para o norte observamos o movimento diário aparente dos astros da direita para a esquerda, e, quando olhamos para o sul, o observamos da esquerda para a direita”.

Eclipse lunar

O eclipse lunar só acontece na Lua cheia.

A lua passa pela fase penumbral antes de ser eclipsada. Nesta fase, o satélite fica um pouco menos brilhante. Isso acontece porque aTerra, por ser um corpo rígido e grande, projeta uma sombra no espaço. Quando a Lua entra na parte menos iluminada, mas que ainda recebe raios do Sol, dizemos que o satélite está na penumbra.Essa fase não é perceptível a olho nu.  Apenas com um telescópio profissional pode se medir esse brilho.

“Para entender essa fase da penumbra basta compararo satélite a nós. Quando estamos em algumafesta,em um local meio escuro, mas mesmo assim ainda somos visíveis a outras pessoas,dizemos que estamos na penumbra. Da mesma maneira acontece com a Lua”, simplifica Telma Couto.

Após passar pela fase penumbral, o satélite começa a entrar na sombra total projetada pelo nosso planeta. Essa sombra escura projetada na Lua é denominada de umbra.Está aí a diferença do eclipse lunar parcial. No parcial,o nosso satélite não entra totalmente na sombra, apenas parte da lua é escurecida. O total é quando a Lua entra totalmente na umbra, percorrendo todas essa fases.

O interessante é que mesmo quando acontece um eclipse lunar total ainda é possível ver o satélite, mas com pouca luminosidade e avermelhado. Isso acontece porque a luz solar bate na atmosfera do nosso planeta e se desvia em direção a Lua.Porém essa luz quase não possui raios azuis, que são facilmente desviados pela camada atmosférica atravessada, por isso o tom avermelhado do satélite.

Para a doutora em astronomia,o eclipse lunar total ou parcial é mágico justamente pelo fato de ser facilmente observado. “Para apreciar esseeclipsebastapoder observar a Luaquando evento estiver ocorrendo. Não é preciso possuir equipamento especialou proteçãoalguma. O que pode ocorrer é o fenômeno acontecer quando o satélite já estiver baixo, aí o ideal é subir em algum lugar bem alto, o que ajuda a se afastar da iluminação pública, que também pode atrapalhar o espetáculo”, aponta Telma.

Um eclipse lunar, em todas as suas fases,chega a durar mais de três horas, sendo que a fase total pode durar mais de uma hora. Apesar de serem previsíveis, esses eclipses não seguemum ciclo perfeito. Os últimos eclipses totais visíveis em Cuiabá aconteceram dia 20 de fevereiro de 2008 e 21 de dezembro de 2010.O próximo será dia 15 de abril de 2014.

 

Eclipse solar

 

Ao contrário do que muita gente pensa, o eclipse solar é mais comum que o lunar.

Um eclipse solar acontece quando existe um alinhamento entre a Terra, a Lua e o Sol, e a sombra que o satélite projeta no espaço alcança o nosso planeta obscurecendo parcialmente ou totalmente o Sol.  Quando a penumbra da sombra da Lua alcança uma região da Terra ocorre um eclipse solar parcial, e quando a umbra produzida pela Lua alcança o nosso planeta ocorre um eclipse solar total.

O eclipse solar também tem uma característica peculiar, que é o eclipse anular. Esse fenômeno ocorre quando a Lua está localizada próximo do ponto mais distante que ela alcança da Terra, com isso a sua sombra não consegue ser suficiente para cobrir totalmente o Sol. Nesse evento só fica visível acoroa solar, dando um formato de anel ao evento.

Ao contrário do que muita gente pensa, o eclipse solar é mais corriqueiro que o lunar. Podem acontecer, em média,até dois ao ano. Apesar de esse fenômeno ser mais comum, apenas uma pequena faixado planeta Terra podeapreciar um eclipse solar total, levando em média 300 anospara se repetir em um mesmo local.

Esse fato acontece porque a Lua é muito menor que o Sol, o que faz com que a sombra do satélite projetada no nosso planeta seja pequena. Pela grande velocidade de movimentação da Lua, o eclipse total tem duração máxima de sete minutose meio.Já os eclipses lunares podem ser vistos de qualquer parte do hemisfério terrestre que estiver virado para o satélite. Isso acontece porque a Lua está mais próxima da gente, produzindo uma sombra maior.

Mas toda observaçãodo Sol deve estar aliada a cuidados. Olhar diretamente para a estrela pode causar cegueira, pois os raios solares podem queimar a retina, estrutura ocular sensível a luz intensa. “Mesmo os profissionais para observar devem usar telescópios com filtros. A população em geral pode se proteger com vidros foscos de ferreiro. Raios X, negativos de filme e até óculos de sol podem não ser suficientes para barrar os danos irreparáveis do sol”, afirma Telma.

 

Os eclipses solares não são simplesmente para serem apreciados. Os especialistasaproveitam esse fenômeno para estudar melhor a nossa estrela. O desaparecimento momentâneo da parte interna do Sol permite aos cientistas a medirem, analisar a sua composição de gases e a intensidade dos raios emitidos, tudo isso tomando como base a camada externa deste corpo celeste.

O último eclipse solar total que visto de Cuiabá aconteceu em27 de Julho de 1813,
com uma duração de apenas 29 segundos.O próximo eclipse solar parcial deverá ocorrer em 26 de fevereiro de 2017.Já umeclipse anular deverá ocorrer no dia 19 de outubro de 2237, com uma duração de cerca de 6 minutos. Até o ano 3000 não está previsto para ser observado de Cuiabá nenhum eclipse solar total.

                                          

Astronomia no Pantanal

 

Um eclipse lunar, em todas as suas fases,chega a durar mais de três horas, sendo que a fase total pode durar mais de uma hora.

Cuiabá não possui equipamentos profissionais para analisar os fenômenos celestes, apenas telescópios amadores,mas isso não impede que as pessoas apaixonadaspor esses eventos os apreciem.Para atender aesses interessados,a capital possui um grupo de divulgação, denominado Astronomia no Pantanal. O projeto não visa lucros e realizareuniões para as observações astronômicas, todasabertas ao público.Além de compartilhar o conhecimento,o grupo procura educar e trocar informações com os participantes, com o objetivo de consolidar e dar continuidade ao projeto.

O grupo Astronomia no Pantanal foi criado em 2008 sob a coordenação da professora Telma Couto,a colaboração dos discentes Célio Ricardo Pinheiro, posteriormente substituído pela Tarsila Marília de Oliveira, e Marcos Gonçalves Guimarães Correia.Os professores Denilton Carlos Gaio (doutor em Física Ambiental)  e ShozoShiraiwa  (doutor em Geofísica) também fazem parte do projeto. Atualmente a coordenação de divulgação do grupo é feita por Marcos Gonçalves, estudante de mestrado de Ensino de Ciências Naturais da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

 

O projeto divulga a astronomiae também esclarece as dúvidas recorrentes sobre o assunto.Para saber mais a respeito e sobre as próximas reuniões entre em contato pelo astronomianopantanal@gmail.comQuem quiser acompanhar os fenômenos celestes também podem entrar no site da Nasa (NationalAeronauticsand Space Administration) que normalmente apresenta ao vivo esses eventos.

 

 

Adriele Rodrigues / Imagens: NASA / Infográfico: Gabriel Soares

 

 

 

 

 

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